MAIORES ACUSADOS DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

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Se você está lendo este texto, provavelmente já ouviu falar em casos de estupro, importunação sexual ou abuso de vulnerável — e imagina que os acusados são sempre desconhecidos, marginais ou pessoas com histórico violento. A realidade, porém, é bem diferente do que a mídia mostra.

Na prática, a maioria das acusações por crimes contra a dignidade sexual envolve pessoas próximas da vítima: namorados, maridos, ex-companheiros, colegas de trabalho, professores, tios, primos, vizinhos — ou até mesmo amigos de longa data. E essa proximidade é justamente o que torna esses casos tão complexos, delicados e perigosos para quem é acusado.

QUEM SÃO OS PRINCIPAIS ACUSADOS?

Dados oficiais do Fórum Nacional de Combate aos Crimes Sexuais e levantamentos do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostram que:

  • Mais de 70% dos casos de estupro ocorrem dentro do círculo de confiança da vítima — não por estranhos em becos escuros, mas por pessoas com quem ela tem ou teve algum tipo de relação;
  • Em casos de estupro de vulnerável, os acusados são frequentemente parentes próximos, cuidadores, pastores, professores ou até membros da própria família;
  • Já nas acusações de importunação sexual, muitos réus são colegas de trabalho, passageiros de transporte coletivo ou frequentadores de festas e baladas — situações em que há ambiguidade sobre o consentimento;

Em casos de assédio sexual, os acusados costumam ser chefes, superiores hierárquicos, professores universitários ou líderes religiosos — figuras que exercem autoridade sobre a vítima.

Ou seja: não é o “monstro” distante que mais aparece nos processos — é o homem comum, com emprego, família, reputação aparentemente impecável.

POR QUE ISSO ACONTECE?

Porque esses crimes raramente acontecem no vácuo. Eles surgem em contextos reais, cheios de nuances:

  • Um relacionamento amoroso que termina mal, e a mulher registra queixa alegando que nunca houve consentimento;
  • Um pai separado que perde a guarda dos filhos, e a ex-esposa o acusa de abusar da filha menor;
  • Um jovem que conhece uma garota em um app de namoro, transa com ela, e dias depois ela afirma que estava embriagada demais para consentir;
  • Um professor que faz elogios íntimos a uma aluna, e ela interpreta como assédio;

Um tio que dá carinho afetivo a uma sobrinha adolescente, e a família entende como abuso.

Em todos esses casos, não há má-fé clara, violência explícita ou intenção criminosa. Mas basta uma queixa, um mal-entendido ou uma mágoa para que o inquérito seja aberto — e, a partir daí, a vida do acusado muda para sempre.

O PERIGO DE SER ALGUÉM “COMUM”

Quem é acusado nessas situações enfrenta um paradoxo cruel:

  • Por um lado, não tem antecedentes, não é criminoso, não tem histórico de violência;
  • Por outro, justamente por ser próximo da vítima, a acusação parece mais plausível aos olhos da polícia, do Ministério Público e até do juiz.

Além disso, como não há testemunhas, provas materiais ou vestígios físicos, o caso se resume a “palavra contra palavra” — e, nesse embate, o sistema tende a privilegiar a versão da vítima, especialmente quando há sinais de sofrimento ou vergonha.

O resultado? Homens comuns, que jamais imaginaram estar cometendo um crime, acabam:

  • Presos preventivamente;
  • Com seus nomes vazados em grupos de WhatsApp ou redes sociais;
  • Demitidos de seus empregos;
  • Afastados de seus filhos;

Marcados por anos — mesmo que sejam absolvidos depois.

O QUE FAZER SE VOCÊ ESTÁ NESSA SITUAÇÃO?

Primeiro, entenda: você não é o único. Milhares de homens passam por isso todos os anos — e muitos são inocentes, mas não sabem como se defender.

Segundo, não subestime a gravidade. Mesmo que pareça “só uma queixa”, o processo pode avançar rápido, e as consequências são reais.

Terceiro, procure um advogado criminal especializado imediatamente — antes de qualquer depoimento, antes de falar com a polícia, antes de tentar “conversar” com a vítima. Um bom advogado sabe:

  • Como questionar contradições no relato;
  • Como provar que houve relacionamento consensual;
  • Como usar mensagens, áudios e testemunhas a seu favor;
  • Como impedir prisões preventivas baseadas apenas em suposições.

CONCLUSÃO: SER INOCENTE NÃO BASTA — É PRECISO PROVAR

Os maiores acusados de crimes contra a dignidade sexual não são monstros. São homens comuns, às vezes imperfeitos, mas raramente criminosos. E é justamente por isso que a defesa precisa ser técnica, humana e estratégica.

Se você foi acusado, não espere. Cada hora conta.

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D. Ribeiro é Advogado Criminal na Capital – SP – Brasil, e possui também um canal no Youtube chamado Notícias do Ribeiro,

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